Instalar, manter ou reparar um ar condicionado com gases fluorados exige certificação obrigatória — do técnico e da empresa —, e a Agência Portuguesa do Ambiente publica a lista dos certificados emitidos. Qualquer pessoa a pode consultar antes de contratar. Quase ninguém o faz.
É a verificação mais útil e mais ignorada de todo o mercado de climatização em Portugal, e é o ponto de partida deste artigo.
A certificação que a empresa tem de ter
Os equipamentos de refrigeração, ar condicionado e bombas de calor usam fluidos frigorigéneos com forte efeito de estufa. Por isso, a instalação, a manutenção, a reparação, a assistência técnica e a desactivação destes equipamentos só podem ser feitas por técnicos certificados, ao serviço de empresas certificadas.
O quadro de referência é o Regulamento (UE) 2024/573, que substituiu o Regulamento (UE) n.º 517/2014, executado em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 145/2017, de 30 de novembro. A certificação é feita por organismos de avaliação e certificação reconhecidos, e a APA publica as listagens.
O âmbito alargou-se: além dos gases fluorados tradicionais, a certificação passou a abranger o manuseamento de gases alternativos — hidrocarbonetos, dióxido de carbono e amoníaco —, e a formação passou a incluir prevenção de fugas, recuperação e desactivação.
Nota de rigor: não confirmámos as datas exactas de aplicação de cada obrigação do Regulamento (UE) 2024/573 nem eventuais alterações posteriores ao Decreto-Lei n.º 145/2017. Antes de invocar uma obrigação concreta, confirme no portal da APA.
Como verificar, em cinco minutos
- Peça à empresa o número do certificado de empresa e o número do certificado do técnico que vai executar o trabalho — são documentos distintos.
- Confirme-os nas listagens de certificados e atestados emitidos publicadas pela APA. A consulta é pública.
- Verifique a categoria do certificado do técnico. As categorias delimitam o tipo de intervenção e a dimensão da carga de fluido; um técnico certificado para uma categoria não está habilitado para todas.
- Confirme a validade. Os certificados são renováveis.
Se a empresa hesitar em dar os números, tem a resposta que precisava.
AVAC, climatização, ar condicionado — o que é o quê
| Termo | Âmbito |
|---|---|
| AVAC | Aquecimento, ventilação e ar condicionado. É o conceito mais largo — inclui a renovação de ar, que os outros dois não garantem |
| Climatização | Controlo de temperatura e, conforme o sistema, de humidade |
| Ar condicionado | Um equipamento de climatização entre vários. Arrefece e aquece; não renova o ar |
A distinção não é académica. Muitos problemas de qualidade do ar interior — condensações, humidade, ar viciado — são atribuídos ao ar condicionado quando a causa é a ausência de ventilação. Um equipamento de ar condicionado recircula o ar do compartimento; não traz ar novo do exterior. Se o problema é ar viciado, mais potência de arrefecimento não o resolve.

O que pedir numa proposta
- Cálculo de cargas térmicas, não uma potência estimada por metros quadrados. Orientação, área envidraçada, isolamento e ocupação mudam o resultado por um factor relevante.
- Fluido frigorigéneo e respectivo GWP — o potencial de aquecimento global. Está a haver uma transição para fluidos de menor GWP, e um equipamento com fluido em eliminação progressiva pode ter recargas cada vez mais caras ao longo da sua vida.
- Classe de eficiência e valores SEER e SCOP, e não apenas o EER nominal.
- Nível sonoro da unidade interior e da exterior, em dB(A). É a queixa número um depois da instalação.
- Traçado das condutas de drenagem. Uma drenagem mal feita é a origem mais comum de manchas de humidade em paredes recém-intervencionadas.
- Contrato de manutenção — periodicidade, o que inclui e o que exclui, e se a verificação de fugas está incluída. Os equipamentos acima de determinada carga de fluido estão sujeitos a verificações periódicas de fugas obrigatórias.
- Garantia — do equipamento e da instalação, que são coisas diferentes e frequentemente têm prazos diferentes.
Onde a instalação corre mal
- Sobredimensionamento. Um equipamento demasiado potente arranca e pára em ciclos curtos, desumidifica mal e desgasta-se mais depressa. Mais kW não é melhor.
- Unidade exterior mal localizada — sem espaço de dissipação, ao sol directo, ou encaixada num recuo sem circulação de ar. Perde rendimento todos os dias de verão.
- Vácuo mal feito na instalação. Humidade e incondensáveis no circuito degradam o compressor. Não se vê no primeiro ano; vê-se no quinto.
- Sem registo de intervenções. Os equipamentos abrangidos devem ter registo das intervenções e das quantidades de fluido.
Perguntas frequentes
Qualquer empresa pode instalar ar condicionado?
Não. A instalação, manutenção, reparação e desactivação de equipamentos com gases fluorados exigem técnicos certificados ao serviço de empresas certificadas, nos termos do Regulamento (UE) 2024/573 e do Decreto-Lei n.º 145/2017.
Como verifico se uma empresa de climatização está certificada?
Nas listagens de certificados e atestados emitidos publicadas pela Agência Portuguesa do Ambiente. A consulta é pública e gratuita. Peça à empresa os números do certificado de empresa e do certificado do técnico.
Qual é a diferença entre AVAC e ar condicionado?
AVAC abrange aquecimento, ventilação e ar condicionado. O ar condicionado é um equipamento de climatização que não renova o ar — recircula o do compartimento. Problemas de ar viciado resolvem-se com ventilação, não com mais arrefecimento.
Com que frequência se faz manutenção ao ar condicionado?
A periodicidade depende do equipamento, do uso e do que constar do contrato. Além da manutenção corrente, os equipamentos acima de determinada carga de fluido estão sujeitos a verificações periódicas de fugas obrigatórias.
O que é o GWP de um fluido frigorigéneo?
É o potencial de aquecimento global — quanto esse gás contribui para o efeito de estufa comparado com o dióxido de carbono. Fluidos de GWP elevado estão em eliminação progressiva, o que encarece as recargas ao longo da vida do equipamento.
Um ar condicionado mais potente é melhor?
Não. Um equipamento sobredimensionado funciona em ciclos curtos, desumidifica mal e desgasta-se mais depressa. O dimensionamento deve resultar de cálculo de cargas térmicas.
Fontes: Regulamento (UE) 2024/573, relativo aos gases fluorados com efeito de estufa, que revogou o Regulamento (UE) n.º 517/2014; Decreto-Lei n.º 145/2017, de 30 de novembro; páginas da Agência Portuguesa do Ambiente sobre certificação de técnicos e de empresas de AVAC e refrigeração, organismos de avaliação e certificação, e listagens de certificados e atestados emitidos. Não confirmámos as datas de aplicação de cada obrigação nem eventuais alterações posteriores ao Decreto-Lei n.º 145/2017. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta dos diplomas nem apoio técnico especializado.
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